Quarta-feira, Dezembro 20, 2006
Natal
De repente o sol raiou
E o galo cocoricou:
- Cristo nasceu!
O boi, no campo perdido
Soltou um longo mugido:
- Aonde? Aonde?
Com seu balido tremido
Ligeiro diz o cordeiro:
- Em Belém! Em Belém!
Eis senão quando, num zurro
Se ouve a risada do burro:
- Foi sim que eu estava lá!
E o papagaio que é gira
Pôs-se a falar: - É mentira!
Os bichos de pena, em bando
Reclamaram protestando.
O pombal todo arrulhava:
- Cruz credo! Cruz credo!
Brava
A arara a gritar começa:
- Mentira! Arara. Ora essa!
- Cristo nasceu! canta o galo.
- Aonde? pergunta o boi.
- Num estábulo! - o cavalo
Contente rincha onde foi.
Bale o cordeiro também:
- Em Belém! Mé! Em Belém!
E os bichos todos pegaram
O papagaio caturra
E de raiva lhe aplicaram
Uma grandíssima surra.
Vinícius de Moraes
:: Por Sonhadora | 10:09 AM | Comments:
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Domingo, Janeiro 08, 2006
Chora coração
Tem pena de mim
Ouve só meus ais
Eu não posso mais
Tem pena de mim
Quando o dia está bonito
Ainda a gente se distrai
Mas que triste de repente
Quando o véu da noite cai
Aqui fora está tão frio
E lá dentro está também
Não há tempo mais vazio
Do que longe do meu bem
(Vinicius de Moraes)
:: Por Sonhadora | 10:48 PM | Comments:
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Terça-feira, Novembro 15, 2005
Compositor emociona em registro íntimo
Folha de São Paulo . 11/11/2005
Qualquer manual de cinema desaconselharia entregar a direção de um documentário ao ex-genro do protagonista -distância é fundamental para manter a atitude crítica. Porém é justamente a proximidade do cineasta Miguel Faria Jr. com o poeta, compositor e autor teatral Vinicius de Moraes (1913-1980) que faz de seu filme uma bela surpresa.
"Vinicius" não é um documentário convencional. Optando por estilizar a figura do narrador, o roteiro cria um pocket-show conduzido pelos atores Ricardo Blat e Camila Morgado, que relatam passagens da vida de Vinicius e interpretam seus poemas.
Essa moldura ficcional é um pretexto para que a narrativa seja entremeada por vários números musicais (bem editados, por sinal, no CD já lançado pela gravadora Biscoito Fino). Intérpretes de várias gerações da MPB de Edu Lobo e Maria Bethânia a Mônica Salmaso e Yamandú Costa mostram como as canções do "poetinha" permanecem emotivas e contemporâneas. Única exceção: o número com os rappers MS Bom e Nego Jeff, que soa artificial.
Faria Jr. não se interessou por investigar e relatar com minúcias a vida de Vinicius. Preferiu traçar um retrato sensível da complexa personalidade desse diplomata e poeta de formação erudita, que mudou radicalmente de vida ao se envolver com a música popular.
Mesmo sem ser um documentário típico, "Vinicius" exibe imagens raras, como a cena do filme "Pista de Grama", de Haroldo Costa, em que Elizeth Cardoso canta "Eu Não Existo sem Você", acompanhada pelo violão de João Gilberto, em 1958. Ou o próprio Vinicius, em 1963, cantando no filme "Les Carnets Brésiliens", de Pierre Kast.
Mais surpreendente é a aparição do poeta, em uma cena doméstica, nos anos 70, ao lado da filha Susana de Moraes (co-produtora do filme). Embriagado, segurando o costumeiro copo de uísque, ele abre o coração, dizendo não ser bem compreendido pelas mulheres.
Depoimentos de compositores, como Carlos Lyra e Francis Hime, também contribuem para delinear com mais transparência o modo de ser do parceiro. Recusando-se a compor uma imagem politicamente correta, eles revelam detalhes íntimos, como a relação cotidiana de Vinicius com o álcool. Ou seu desejo, expresso publicamente, de ter sido um músico negro, como Pixinguinha.
Já os relatos da atriz Tônia Carrero e do músico e parceiro Toquinho sugerem que Vinicius vivia em estado quase permanente de arrebatamento.
Criou muitos de seus 400 poemas e outro tanto de canções sob o estímulo dos amores. Chegou a se casar nove vezes e sofria ao perceber que o fogo de uma paixão arrefecera. É difícil não se emocionar com o retrato de um poeta que mergulhou na vida de modo tão intenso.
Carlos Calado
:: Por Sonhadora | 11:56 AM | Comments:
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Quarta-feira, Outubro 05, 2005
Amigos
"Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os."
:: Por Sonhadora | 10:18 PM | Comments:
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Sexta-feira, Abril 15, 2005
Antônio Maria é um jornalista muito conhecido em Recife. Existem cafés eespaços culturais com seu nome. É conhecidíssimo pelas suas crônicas e sobretudo pelas canções compostas. Ambos, Maria e Vinícius, eram como pai e filho (existe inclusive um boato que diz que Maria é filho bastardo de Vinícius, uma mentira que todos sabiam daí o nome Antônio Maria de Moraes mas isto é uma outra história). Antonio Maria tinha pavor de voar e certa feita, tendo ido de Ônibus até o Rio, precisou voltar correndo ao Recife por uma emergência inadiável de seu trabalho.
Como não havia outro jeito foi de Avião mesmo mas seu pavor transformou-se em paixão quando viu a beldade que estava na poltrona ao seu lado. Tentou a viagem inteira uma forma de puxar conversa e nada até que a loiraça puxou um livro.
"Bingo", pensou ele, se eu descobrir o autor desse livro a gata tá no papo. Foi quando ele viu que o livro era de "Vinícius de Moraes". Ele quase não se contém de alegria quando ele cutuca a moça e segue-se um diálogo mais ou menos como se segue:
- "Com licença"
- "Pois não!!!" (ríspida)
- "Me perdoe a intromissão mas por acaso eu vi que a senhorita está lendo um livro de Vinícius de Moraes e... bem eu.. é que..."
- "E daí? O que é que tem?"
- "É que eu fiquei me perguntando se a senhorita não teria o interesse de conhecer o Vinícius Pessoalmente e..."
- "Não eu não quero conhecer. Eu me interesso pela poesia dele e pronto. Magina, eu não sei nem a cara do Vinícius de Moraes. Por quê?"
- "Bom é porque... Eu sou o Vinícius de Moraes".
Aí ela se desmanchou toda, suspirou "meu Deus, Vinícius de Moraes aqui no meu aviao? não acredito". Aí ele recitou trocentas poesias que sabia de cor, contou toda a história do poetinha em primeira pessoa, deu um autógrafo lindo no livro dela escrevendo "Vinícius de Moraesssss" comletras desenhadas.
Ele perguntou qual o Hotel que ela ficaria e ela respondeu que foi no Mar Hotel e ele "Que coincidência" prontamente se hospedou.
À noite, como previsto, foi jantar, poesia, muito Champanhe e ... pro quarto dela.
No dia seguinte Maria ligou pro Vinícius contando tudo. O poetinha ficou atônito. Ele, do Rio, teve uma noitada com uma Deusa por procuração.
Estava na verdade até orgulhoso tanto do que seu nome representava nas mulheres quanto da fama que ficara com a dona e que, com certeza, iria sorrateiramente se espalhar se imortalizando numa história senão oficial mas pelo menos oficiosa.
Quando já ia desligando Maria disse: "peraí Vinícius, foi tudo perfeito lá com a loira, teve só um probleminha."
"Qual foi Maria?", perguntou vinícius.
Ao que Antônio Maria respondeu: "É que de noite... VOCÊ broxou".
rsrs vê se pode.
:: Por Sonhadora | 9:01 PM | Comments:
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